essa semana li num blog por aí um post falando sobre vizinhos.
comecei a lembrar sobre os que eu já tive, e resolvi escrever aqui, enquanto a inspiração pros novos relatos não volta.
mas por vizinhos, eu digo vizinhos mesmo. parede com parede. o cara que mora embaixo ou em cima, eu considero mais vizinho do que o que mora na outra ponta do seu andar, já que vc os afeta e é afetado muito mais por eles.
eu morei 9 anos num apartamento na aclimação, e lá a coisa era difícil.
isso pq nossos vizinhos de andar, eram uma família de coreanos. mas uma família realmente freak. eles fritavam NABOS com razoável frequencia. você ja sentiu o cheiro de NABO FRITO? se sim, sabe do que estou falando. se nunca sentiu, lembre-se de mim e desse post assim que isso acontecer com você, ok?
mas enfim, o pai era o dr. kim, um dentista bem sucedido e já com seus 50 e poucos anos. mas por causa do barulho da broca, ele foi ficando surdo.
então nos últimos tempos em que eles moraram lá, o velho metia a televisão no volume 84 pra ver filmes de madrugada. era uma delícia dormir ouvindo os diálogos dublados do corujão. fone de ouvido pra que, né?
a mulher era completamente inexpressiva, algo como a sun de lost. nao fede nem cheira.
mas o filho era bem problematico. ernesto, era o nome da peça.
desconfio que ele era meio retardado, pq nao me lembro de ve-lo com amigos na rua ou recebendo visitas. era filho unico e aparentemente passava os dias sozinho. pra piorar, o cretino era são paulino e travávamos uma batalha a cada palmeiras x são paulo. mas ele tinha uma atividade peculiar: jogar inocentes BOLAS DE GOLFE contra a minha parede.
isso. horas e horas e boladas de golfe na minha parede.
como eu era apenas um estudante e passava as tardes em casa, ouvia o tempo todo as marretadas que eram desferidas.
eu achava mesmo que ele era retardado e uma vez, não lembro exatamente como foi, mas tentei tirar uma onda com a cara dele e tomei uma surra astronomica. o china lutava karatê, ou algo assim, e acabou comigo em poucos segundos, senm qualquer possibilidade de defesa.
mas numa dessas vezes em que ele atirava as bolas na parede, eu e meu irmão resolvemos responder.
pegamos uma bola de tênis cada um, e começamos a jogar de volta, em direção ao apê dele.
então era uma porrada forte vindo de lá, e duas mais fracas vindas de cá. só que isso de forma e non stop, com horas e horas de provocação velada.
como éramos garotinhos juvenis e sem muita vivência, achamos que o bate-rebate só iria afetar nossos dois apartamentos.
mas embaixo, no quinto andar, morava o temido seu diogo. um velho desgraçado que era o terror da mulecada do prédio. ele exalava cachaça 24/7, gritava com geral e é provavelmente a pessoa mais mal encarada que eu já topei.
claro que depois de duas horas de uma guerra incessante, o velho ficou danado da cabeça e resolveu subir pra tirar satisfações.
ele esmurrou sem dó a porta dos chinas, e na sequencia a nossa.
eram socos muito servidos, de abalar a estrutura da porta mesmo. como minha mae nao tava em casa, nos cagamos de medo e resolvemos fingir que nao havia ninguem em casa. adolescentes sao muito idiotas. hahasudhfausd
acontece que a mãe do ernesto abriu a porta, e aí começou a treta. o velho urrava de forma inconsequente, e a submissa sun, sem argumentos, acusou a gente de começar.
então lá vieram a mãe china, o ernesto e o velho desgraçado baterem na minha porta.
e a gente lá dentro: “fudeu, caralho, e agora??!?!”
eu olhava pelo olho mágico e via a fúria do velho, se eu abrisse a porta era certeza de ser estrangulado sem cerimonia por ele.
e enquanto espiava o movimento do corredor, vi o elevador se abrindo, e minha mae chegando.
cansada, depois de um estafante dia de trabalho, ainda chega em casa e encontra os dois filhos idiotas metidos em confusão.
ela ficou puta, botou o velho pra correr, mandou os chinas entrarem na casa deles, e quando nos viu, falou um caminhão de bosta. não nos restou outra coisa a não ser ficar quietinhos ouvindo.
algum tempo depois, os chinas vazaram de lá, e entrou uma tiazona solteira, que eu posso jurar tratar-se de uma sapata. inclusive, ela parecia muito com a pam grier.
mas o lance é que ela fazia umas paradas de sentir energia, e falou que meus cd’s de roque eram carregados. fiquei puto.
enfim, 9 anos se passaram, e mudamos de prédio, mas no mesmo bairro da aclimação.
e aí não me lembro de nenhum problema envolvendo vizinhos. morei lá 5 anos e a convivência foi ótima.
saí desse apê em 2005 pra morar com a stephanie. inicialmente eu me mudei pro apartamento em que ela já morava na vila madalena.
ao que consta, ela nunca havia tido problemas com vizinhos até que eu cheguei.
pra comemorar que fomos morar juntos, resolvemos fazer uma festinha pros amigos. mas a festinha acabou ficando um pouco maior do que a gente previa, e num apartamento de pouco mais de 60 metros, estavam incríveis 45 pessoas bebendo, falando, dançando, pulando e fazendo sei lá mais o que.
claro que não demorou pros vizinhos sacarem o que tava rolando. até tentamos apazigua-los, convidando para a festa, mas eles nao se interessaram muito.
o resultado foram 5 reclamações pro condomínio e 3 ligações pra polícia reclamando da gente.
claro que os pm’s não fizeram nada, eles têm mais o que se preocupar. sobre as reclamações no condomínio, bom…também nao sei se deram em alguma coisa pq ficamos lá apenas um mês e meio. logo em seguida alugamos o apê em que moramos hoje.
no dia da mudança, o zelador do predio novo falou “o síndicio e o sub-síndico moram no mesmo andar que vocês”.
claro que pensei “legal, tomei no cu antes mesmo da primeira noite”.
e foi quase isso, pq no nosso segundo dia no predio, durante a arrumação da mudança, já recebemos uma carta dizendo que havíamos botado o lixo pra fora no horário errado.
com esse cartão de visitas a previsão foi ainda mais nebulosa. já imaginei brigas mil, pq eu não deixaria de dar festas em casa por ser vizinho do sindico.
e nos primeiros meses a gente realmente abusou. era festa atrás de festa. música, barulho, conversas e tudo isso até altas horas da madrugada.
pra minha surpresa, NUNCA recebemos uma só reclamação de barulho, e felizmente posso dizer que tenho praticamente os vizinhos dos sonhos. a moçada nao ta nem aí pra nossa música alta.
o único porém, é que um deles pira num EMÍLIO SANTIAGO todos os domingos, a partir das 8 da manhã….mas como a gente faz coisa muito pior, certamente a reclamação não vai partir do nosso lado….