só é pobre quem quer!

October 19th, 2007 by andrechaos

o título desse post nao podia ser mais verdadeiro.
pra começar, quero dizer que estou ajudando alguem a ficar ainda mais rico, afinal acabo de entrar no facebook, pra ficar atualizado com essa nova onda do internet (me adedê aqui miguxo).

o nome do cara que estou ajudando é mark zuckerberg, criador do tal facebook. o desgraçado recusou essa semana uma proposta do google de 10 bi de verdinhas, pra vender o site dele.
simplesmente recusou, nao quis.
nao consigo pensar em outra coisa senão o apego emocional que ele deve ter pela própria criação pra negar essa grana. o mano jamais vai conseguir tanto dinheiro de outra forma.
em todo caso, acho arriscado o cara negar essa proposta, ja que com esse lance cíclico que rola no internet, daqui a pouco o facebook está ultrapassado e ele vai ter é que pagar pra manter a parada.
no lugar dele, eu teria vendido e agora estaria nadando nu no mar azul do tahiti.

mas pra provar o “só é pobre quem quer” que escrevi ali em cima, quero dar um exemplo que descobri na semana passada.
li no terra a notícia sobre um site que está fazendo sucesso nos estados unidos, chamado rotten neighbor.
vc pode clicar aí e ver, mas basicamente o site é composto por um mapa norte americano, em que vc digita o cep desejado e encontra relatos sobre a vizinhança (sua ou alheia).
por exemplo, se você tem um vizinho que escuta emílio santiago alto pra caralho num domingo as 8 da manha (meu caso), vc vai lá e relata isso. dando nome e endereço dele.
a idéia do site, é que com o tempo todos os vizinhos problemáticos estejam catalogados, assim quando vc for se mudar, pode consultar pra saber quais dores de cabeça vc terá no novo endereço.
legal né? na verdade é idiota. é cretino. é estúpido.
mas o cara que criou isso ja está com uma boa grana no bolso.

se ele tivesse criado um site pra falar sobre os investimentos financeiros que estão transformando dubai no maior centro financeiro do mundo árabe, certamente teria falido no primeiro mês.
mas um miserável dum site pra falar mal do seu vizinho, está bombando e enchendo o bolso do filho da puta de dinheiro.

ou seja, internet é o templo da idiotice. idiotice que dá dinheiro.
se você tem uma boa idéia, jamais a coloque no internet. nao vai dar certo.
já se a sua idéia for cretina….

bom, vou ali no bar ficar bêbado e ter uma idéia idiota e já volto…

Posted in trabalho, internet, humor, bizarrices | 6 Comments »

shame on me, rock n roll!

September 24th, 2007 by andrechaos

saiu ontem (domingo, 23 de setembro) uma matéria do marco bezzi no jornal da tarde sobre essa nova onda do momento, que são as pequenas casas de shows aqui em são paulo bancarem a vinda de bandas internacionais não tão conhecidas, mas que têm seu público por aqui.pra fazer o texto, claro que ele conversou com os empresários e donos das casas, dando um panorama legal de como isso tem funcionado nos últimos tempos.
mas ele precisava também de algumas palavras de quem frequenta essas casas. então ele me chamou pra falar a respeito, ainda no calor do show do nashville pussy semana passada.

topei falar na boa e como ele precisava também de uma garota que tivesse ido ao show das donnas em agosto, indiquei a mell e ela também aceitou.
respondemos algumas perguntinhas e acabou nem saindo tanta coisa do que falamos, mas mesmo assim foi legal.
a matéria ficou boa e ainda por cima tive a oportunidade de colocar minha foto com chifrinhos num jornal de grande circulação do brasil. nada como passar vergonha outra vez em nome do roque!!!! (a primeira foi aqui)

tem um print da matéria aí embaixo (clica nela se quiser ver maior), e logo depois transcrição do texto.

matéria do jt

(clica aí em cima pra ver a matéria em tamanho maior!)

 

 

Fica logo ali na esquina

Casas de porte médio como Clash e Inferno se especializam em trazer atrações internacionais para seus palcos

MARCO BEZZI, marco.bezzi@grupoestado.com.br

Pareciam favas contadas. Era alguma banda gringa decidir tocar em locais menores no Brasil que as primeiras desconfianças surgiam: “Será que o som vai prestar?”, “A casa tem ar-condicionado?”, “O show vai atrasar quantas horas?”. E tanto os mais novos como os viúvos de casas como Aeroanta e Damashock sabem que um circuito saudável precisa mais do que apenas casas e arenas gigantescas para funcionar.

A fim de dar vazão para bandas que não teriam chance de encher um Via Funchal ou um Credicard Hall, produtores, donos de agências e músicos decidiram dar um basta na cultura que confundia independência com amadorismo. Duas casas que abriram suas portas recentemente, a Clash Club e o Inferno, demonstraram neste mês que é possível viabilizar sem mortos e feridos a vinda de artistas internacionais para tocar em locais que suportam 500, 600 pessoas.

Os shows das bandas The Donnas, New Model Army e Nashville Pussy, respectivamente na Clash e no Inferno, foram a prova definitiva de que o que funciona no exterior pode funcionar por aqui também. O dono da Clash, o jornalista e também proprietário da agência Circuito, André Barcinski, explica: “Cuido de tudo: visto de trabalho, passagens, estadia. Sempre que vou fechar com uma banda internacional tento trazer parceiros de outros estados e países, como Argentina e Chile, para os custos, especialmente os das passagens, serem abatidos. E tudo adiantado”. Passagens estas que acabam levando boa parte do orçamento. No caso do New Model Army, foram 9 Londres-São Paulo, São Paulo-Londres com trechos no patamar de 2 mil dólares.

Alessandro Padovano, um dos proprietários do clube Inferno, também quer profissionalizar cada vez mais a vinda de artistas gringos. “Foram 6 shows a U$ 2 mil cada que fechamos para a turnê do Nashville Pussy”, explica. Os tempos de tocar por cerveja e pizza já eram. “Artista que se propõe a fazer isso já demonstra que não tem nenhum profissionalismo”, afirma Barcinski.

Fabiana Batistela, uma das sócias da agência Inker - que viabilizou para o Brasil a vinda de bandas como Pixies, Weezer, MC5, Supergrass e Mudhoney - fala das principais dificuldades dos produtores e donos de casa no Brasil: “Uma dificuldade é a diferença de estilo de trabalho do brasileiro e do gringo. Brasileiro acha que pode resolver tudo de última hora, que tudo vai dar certo. Gringo gosta de tudo muito bem combinado e certinho, quanto mais cedo melhor”, fala.

É para não correr o risco de entrar numa roubada que Padovano pretende fazer do Inferno uma produtora de shows que realize da maneira mais profissional todos os trâmites necessários. Para este ano, ele promete em dezembro a apresentação de Jon Spencer. Para o ano que vem, além de armar um festival de bandas alternativas com outras casas, Padovano sonha em trazer o The Cramps, queridinhos de 11 entre 10 roqueiros antenados.

Já com know how conhecido, a Clash receberá o duo Digitalism - única atração que estava confirmado para o festival Nokia Trends, que foi adiado - no dia 6 de outubro. O thrash metal do Exodus em novembro e o hardcore do Less Than Jake para o ano que vem são apostas de Barcinski. Para tanto, conta com o senso profissional também dos gringos. “Uma banda como o Mudhoney está acostumada a viajar de van e de ônibus. Entende que cada caso é um caso. Já fui obrigado a reservar 15 quartos de hotel para uma banda brasileira que nem os usou. Tratar com artista nacional é muito mais difícil e custoso, por incrível que pareça”, lamenta Barcinski. Outro ponto fundamental para um evento ocorrer com sucesso é sua divulgação. A internet faz o seu papel. “Fico sabendo dos shows geralmente pela internet ou revistas alternativas”, diz a publicitária Mellina Kulike Passi, 22 anos.

Já o webdesigner André Motta, 22, vê na proximidade da banda uma das vantagens para se locomover a esses tipos de locais: “Geralmente os palcos são pequenos e o público fica perto da banda. Assim a energia é muito maior e os shows mais intensos”. Ponto para eles.

 

 

o bezzi ainda me deu um help e tirou incríveis 3 dos meus 25 anos.
não que eu me importe com isso, mas fica menos ridículo alguem de 22 anos aparecer no jornal com a aquela foto idiota, do que alguem de 25, certo?

mas então é isso.
valeu bezzi, valeu mell e principalmente: valeu roque, pelas vergonhas do dia a dia!!!!!!~^@#!!!

Posted in roque, shows, roubadas, baladinhas, humor, música, bizarrices | 5 Comments »

there goes the neighbourhood

September 19th, 2007 by andrechaos

essa semana li num blog por aí um post falando sobre vizinhos.
comecei a lembrar sobre os que eu já tive, e resolvi escrever aqui, enquanto a inspiração pros novos relatos não volta.

mas por vizinhos, eu digo vizinhos mesmo. parede com parede. o cara que mora embaixo ou em cima, eu considero mais vizinho do que o que mora na outra ponta do seu andar, já que vc os afeta e é afetado muito mais por eles.

eu morei 9 anos num apartamento na aclimação, e lá a coisa era difícil.
isso pq nossos vizinhos de andar, eram uma família de coreanos. mas uma família realmente freak. eles fritavam NABOS com razoável frequencia. você ja sentiu o cheiro de NABO FRITO? se sim, sabe do que estou falando. se nunca sentiu, lembre-se de mim e desse post assim que isso acontecer com você, ok?

mas enfim, o pai era o dr. kim, um dentista bem sucedido e já com seus 50 e poucos anos. mas por causa do barulho da broca, ele foi ficando surdo.
então nos últimos tempos em que eles moraram lá, o velho metia a televisão no volume 84 pra ver filmes de madrugada. era uma delícia dormir ouvindo os diálogos dublados do corujão. fone de ouvido pra que, né?

a mulher era completamente inexpressiva, algo como a sun de lost. nao fede nem cheira.
mas o filho era bem problematico. ernesto, era o nome da peça.
desconfio que ele era meio retardado, pq nao me lembro de ve-lo com amigos na rua ou recebendo visitas. era filho unico e aparentemente passava os dias sozinho. pra piorar, o cretino era são paulino e travávamos uma batalha a cada palmeiras x são paulo. mas ele tinha uma atividade peculiar: jogar inocentes BOLAS DE GOLFE contra a minha parede.

isso. horas e horas e boladas de golfe na minha parede.
como eu era apenas um estudante e passava as tardes em casa, ouvia o tempo todo as marretadas que eram desferidas.
eu achava mesmo que ele era retardado e uma vez, não lembro exatamente como foi, mas tentei tirar uma onda com a cara dele e tomei uma surra astronomica. o china lutava karatê, ou algo assim, e acabou comigo em poucos segundos, senm qualquer possibilidade de defesa.

mas numa dessas vezes em que ele atirava as bolas na parede, eu e meu irmão resolvemos responder.
pegamos uma bola de tênis cada um, e começamos a jogar de volta, em direção ao apê dele.
então era uma porrada forte vindo de lá, e duas mais fracas vindas de cá. só que isso de forma e non stop, com horas e horas de provocação velada.

como éramos garotinhos juvenis e sem muita vivência, achamos que o bate-rebate só iria afetar nossos dois apartamentos.
mas embaixo, no quinto andar, morava o temido seu diogo. um velho desgraçado que era o terror da mulecada do prédio. ele exalava cachaça 24/7, gritava com geral e é provavelmente a pessoa mais mal encarada que eu já topei.
claro que depois de duas horas de uma guerra incessante, o velho ficou danado da cabeça e resolveu subir pra tirar satisfações.

ele esmurrou sem dó a porta dos chinas, e na sequencia a nossa.
eram socos muito servidos, de abalar a estrutura da porta mesmo. como minha mae nao tava em casa, nos cagamos de medo e resolvemos fingir que nao havia ninguem em casa. adolescentes sao muito idiotas. hahasudhfausd

acontece que a mãe do ernesto abriu a porta, e aí começou a treta. o velho urrava de forma inconsequente, e a submissa sun, sem argumentos, acusou a gente de começar.
então lá vieram a mãe china, o ernesto e o velho desgraçado baterem na minha porta.
e a gente lá dentro: “fudeu, caralho, e agora??!?!”

eu olhava pelo olho mágico e via a fúria do velho, se eu abrisse a porta era certeza de ser estrangulado sem cerimonia por ele.
e enquanto espiava o movimento do corredor, vi o elevador se abrindo, e minha mae chegando.
cansada, depois de um estafante dia de trabalho, ainda chega em casa e encontra os dois filhos idiotas metidos em confusão.

ela ficou puta, botou o velho pra correr, mandou os chinas entrarem na casa deles, e quando nos viu, falou um caminhão de bosta. não nos restou outra coisa a não ser ficar quietinhos ouvindo.

algum tempo depois, os chinas vazaram de lá, e entrou uma tiazona solteira, que eu posso jurar tratar-se de uma sapata. inclusive, ela parecia muito com a pam grier.
mas o lance é que ela fazia umas paradas de sentir energia, e falou que meus cd’s de roque eram carregados. fiquei puto.

enfim, 9 anos se passaram, e mudamos de prédio, mas no mesmo bairro da aclimação.
e aí não me lembro de nenhum problema envolvendo vizinhos. morei lá 5 anos e a convivência foi ótima.

saí desse apê em 2005 pra morar com a stephanie. inicialmente eu me mudei pro apartamento em que ela já morava na vila madalena.
ao que consta, ela nunca havia tido problemas com vizinhos até que eu cheguei.
pra comemorar que fomos morar juntos, resolvemos fazer uma festinha pros amigos. mas a festinha acabou ficando um pouco maior do que a gente previa, e num apartamento de pouco mais de 60 metros, estavam incríveis 45 pessoas bebendo, falando, dançando, pulando e fazendo sei lá mais o que.
claro que não demorou pros vizinhos sacarem o que tava rolando. até tentamos apazigua-los, convidando para a festa, mas eles nao se interessaram muito.

o resultado foram 5 reclamações pro condomínio e 3 ligações pra polícia reclamando da gente.
claro que os pm’s não fizeram nada, eles têm mais o que se preocupar. sobre as reclamações no condomínio, bom…também nao sei se deram em alguma coisa pq ficamos lá apenas um mês e meio. logo em seguida alugamos o apê em que moramos hoje.

no dia da mudança, o zelador do predio novo falou “o síndicio e o sub-síndico moram no mesmo andar que vocês”.
claro que pensei “legal, tomei no cu antes mesmo da primeira noite”.
e foi quase isso, pq no nosso segundo dia no predio, durante a arrumação da mudança, já recebemos uma carta dizendo que havíamos botado o lixo pra fora no horário errado.

com esse cartão de visitas a previsão foi ainda mais nebulosa. já imaginei brigas mil, pq eu não deixaria de dar festas em casa por ser vizinho do sindico.
e nos primeiros meses a gente realmente abusou. era festa atrás de festa. música, barulho, conversas e tudo isso até altas horas da madrugada.
pra minha surpresa, NUNCA recebemos uma só reclamação de barulho, e felizmente posso dizer que tenho praticamente os vizinhos dos sonhos. a moçada nao ta nem aí pra nossa música alta.

o único porém, é que um deles pira num EMÍLIO SANTIAGO todos os domingos, a partir das 8 da manhã….mas como a gente faz coisa muito pior, certamente a reclamação não vai partir do nosso lado….

Posted in palmeiras, família, roubadas, música, humor, bizarrices | 5 Comments »

45 no ibope

August 31st, 2007 by andrechaos

eu deveria postar agora um relato sobre uma noite bizarra da minha vida, mas admito que fiquei com preguiça de concluir a história. só escrevi até a metade.
durante o final de semana eu a termino, e segunda posto aqui.

enquanto isso, vou enrolar e postar sobre o famoso dia em que fui parar na tela do fantástico.

novembro de 2002, e eu li que rolaria aqui em são paulo um campeonato de air guitar, promovido pelo sesc.
eram 3 dias de evento, e no primeiro eu fui com o meu irmão assistir, pq um amigo dele iria participar.
chegando lá, a vergonha foi total. um bando de retardados num palco, junto com o thunderbird, solando e fingindo que realmente tava tocando.
muito, muito ridiculo.
o amigo do meu irmão subiu no palco, e o thunderbird perguntou “vai tocar o que?”. o mano respondeu “slayer. mas angel of death, pq seasons in the abyss é de boy”. GENIAL.

fomos embora depois de muita risada e tudo bem.
no dia seguinte, estranhamente eu fiquei com vontade de ir de novo. e pro meu azar, acabei indo mesmo.

novamente, vergonha rolando pelos outros. era bizarro demais pra ser verdade.
entre um concorrente e outro, o thunder perguntava se alguem da plateia queria participar. alguns tomavam coragem e subiam no palco.

numa dessas vezes que ele perguntou, aconteceu algo inexplicável.
eu, que tava achando aquilo tudo o cúmulo da degradação humana, me apresentei pra subir no palco.
do nada.
assim, sem explicação MESMO. até pq, nem bebado eu tava.

subi naquela porra, entreguei um cd que tava no meu bolso pro cara da mesa de som e falei “coloca a número 1″.
era holy wars do megadeth, um petardo do metal noventista. (ao contrário do que a matéria do fantástico diz, eu NAO toquei sepultura. repito, foi holy wars do megadeth)

comecei a tocar e não é que a galera curtiu? tava cheio de metaleiro lá e eles começaram a gritar, banguar, levantar a mão pra mim e tudo mais. se eu fosse mais cabeludo ia achar que era o marty friedman.
numa pausa da musica eu levantei a mão e fiz o classico sinal de lml, representando o heavy metal.
TODAS as pessoas do lugar me imitaram. “caralho, tenho total controle sobre a massa” foi o que pensei na hora.

foi realmente legal pra caralho, não fosse pelo fato de que pelo menos 3 equipes de tv filmaram aquilo.
quando acabou e eu desci do palco, as 3 equipes vieram falar comigo, pra me entrevistar.
os jurados do evento eram o andreas kisser e o roger do ultraje a rigor, então me botaram pra interagir com eles, fizemos um duelo pras cameras e tudo mais.

além do fantástico, tbm dei entrevista pro marcos mion (que na epoca tava na band) e pra mtv. mas essas duas ultimas eu nunca vi.

então, se tem alguém que ainda não viu essa matéria, veja agora e sinta muita vergonha por mim:

na semana seguinte, abro o jornal e vejo na coluna do lucio ribeiro a seguinte notinha (link):

Air guitar é “campeão de audiência” na Globo
A Popload apurou que reportagem sobre o evento de air guitar do Sesc, promovido semana passada, rendeu 45 pontos de audiência ao “Fantástico” (Globo), no domingo.

ou seja amigos, meti 45 no ibope!!!
mais do que paraíso tropical.

e isso só me faz pensar numa coisa: andrechaos > alessandra negrini + fabio assunção.

Posted in roque, shows, roubadas, baladinhas, humor, música, bizarrices | 12 Comments »

a noitada dos 3 reais

August 24th, 2007 by andrechaos

quem acompanha esse blog assíduamente, deve ter notado que a quantidade de vezes em que me dei mal eh infinitamente superior às vezes em que me dei bem.
foram feitos até comentários recomendando que eu procurasse o pai de santo mais próximo da minha casa, de tanta merda que me acontece.

não digo que essa proporção é a mesma durante toda a minha vida. o que acontece, é que as roubadas e fodeções em que me meto, são muito mais folclóricas e clássicas do que os fatos que me são favoráveis.
de modo que grande parte das coisas legais não teriam a menor graça em serem postadas aqui.

acontece que uma dessas coisas legais, aconteceu com um nível de “folclorismo” maior do que todas as roubadas juntas.
eu fui o campeão do mundo naquele dia.
digo sem medo que merecia um troféu, e nas linhas abaixo tenho total certeza do que todos vocês vão concordar comigo.
vocês que torcem por mim, terão nesse relato um belo presente.

pra começar, voltemos no tempo. algum dia no meio de 2004.
situando vocês, nessa época eu morava apenas com a minha mãe no aprazível bairro da aclimação.

era um sábado a noite e eu ainda não tinha planejado nada. não sabia se sairia ou se ficaria em casa, navegando no internet e conferindo as novidades do dedada digital.
vale frisar que eu possuía incríveis 3 reais na carteira. com esse dinheiro não consigo nem ir e voltar pra casa de busão aqui em sp.
tudo bem, eu poderia sacar mais no banco, mas como não estava com planos ainda, deixei quieto.

por volta das 20 horas, toca o telefone de casa. era o meu irmão (que repito, não morava com a gente na epoca).

meu irmão: oi mãe, que acha da gente comer uma pizza daqui a pouco?
minha mãe: ah, acho ótimo!
meu irmão: legal, deixa que eu pago dessa vez!
minha mãe: nossa, melhor ainda!
meu irmão: ta, entao daqui 15 minutos passo aí pra pegar vocês.

maravilha. eu tava quieto, calado, nao sabia de nada e ia faturar um rango classe A.
chegamos na pizzaria, e foi um deleite. ótimas redondas, bom papo familiar, cervejinhas e risadas.
tudo muito gostoso, minha noite ja seria feliz com aquele jantar. e ainda por cima com uma super média familiar feita, acumulei créditos por vários dias.

um pouco antes de ir embora, toca meu celular. era meu broda gustavo.

gustavo: e aí cara! vamos tomar uma cerveja?
eu: po…to meio sem grana, mas vamo sim. onde?
gustavo : sei lá…vamo ali pela augusta
eu: ta, fechado
gustavo: 11 horas ali no banco safra?
eu : como diria o michael jackson, i’ll be there!

confesso que fui meio irresponsavel e resolvi não passar no banco pra sacar dinheiro.
ao invés disso, pensei numa forma de não gastar nada no trajeto entre a vila mariana (local da pizzaria) e a avenida paulista.
como meu irmão tava com o carro, pedi humildemente uma caroninha nem que fosse até o começo da paulista, e de lá eu iria andando até a augusta. muito solícito, ele topou e não gastei com o transporte.
o tempo da minha caminhada foi equivalente ao que o gustavo levou pra ir da casa dele até o local combinado, então pontualmente às 23 horas estavamos na esquina paulista x augusta.

“onde vamos beber?” foi o que pensamos.
isso é facil de ser resolvido, descendo a augusta os bares se multiplicam mais que um gremlin ao cair na água.
logo na primeira quadra, existe o bar BH.
mas não esse BH fraudulento e pilantra de hoje. o bar de 2004 era true, vendia cervejas de garrafa e cobrava preços honestos.
depois de uma reforma, virou local pra típicos arrombados frequentadores do espaço unibanco.
mas enfim, isso é papo pra outro post…

entramos no true BH, e como era comum pra um sabado a noite, tava completamente lotado.
sem a menor possibilidade de acharmos uma mesa, encostamos a barriga no balcão e começamos a pedir nossas cervejas ali mesmo, como várias outras pessoas.
o papo rolava tranquilamente. futebol, musica, mulheres, cerveja…falávamos de tudo.

eis que notamos logo atrás de nós, duas garotas aparentemente simpáticas, da nossa faixa etária.
sozinhas, descompromissadas e bebendo uma insinuante mistura de vodka com fanta uva.
toda essa combinação explosiva de uma juventude feminina com a junção mais do que pitoresca da bebida delas, obviamente nos chamou a atenção.
poucos segundos depois de notarmos a existencia das duas, não titubeamos em puxar um papo altamente maroto com elas.

por papo altamente maroto, entenda-se coisas do tipo “e aí, tudo bem?”, “onde eh a balada hoje?”, “estão sozinhas?” e galanteios a lá julio iglesias desse tipo.
as duas foram super simpaticas e tudo mais (como sei que vcs duas tao lendo isso, peço calma que logo ali na frente vai rolar um aparte sobre a identidade de vcs!*), conversamos durante bastante tempo, mas nenhum approach rolou.
e se rolasse, aposto cem reais como levaríamos o toco da morte sem nenhuma cerimônia.
ou seja, ficamos apenas falando besteiras e tomando nossa cerveja, enquanto as duas tomavam sua incrivel vodka com fanta uva.

papo vai, papo vem e num certo momento toca o celular do gustavo.
vendo que seria impossivel conversar com alguem ao telefone no meio daquela barulheira, ele foi ate a rua atender.
nisso continuei bebendo e falando as típicas idiotices pras duas garotas.

poucos minutos depois o gustavo volta, e percebo que além de falar ao telefone, ele andou observando atentamente à infra-estrutura do bar.

gustavo: cara, atendi o celular ali do lado da banca e percebi uma coisa
eu: que que foi?
gustavo: o bar ta cheio pra caralho, puta zona. se a gente sair sem pagar ninguém vai perceber
eu: porra, seria bom demais, mas como a gente vai fazer?
gustavo: entao, eu fui ali falar no celular e se quisesse vazar, ninguem perceberia. é só fingir que atendeu o celular e sair andando
eu: então ja eh. vamo beber mais um pouco, e logo mais a gente dá o golpe
gustavo: tá, mas precisamos combinar
eu: fica assim, a gente sai cada um por uma porta, e nos encontramos ali na paulista, no banco safra
gustavo: fechado.

e aí continuamos bebendo.
lembro bem que bebemos 10 cervejas exatamente, e aí resolvemos dar a fuga.
aproveitamos um momento de distração do tio do bar que tava no balcão e também das duas garotas. tudo bem que a essa altura elas já tavam nos ignorando por completo, mas em todo caso elas não poderiam perceber que sairíamos daquela forma oportunista.

então, em ágeis movimentos, sacamos os celulares e numa encenação incrivelmente patética, fingimos que estavam tocando.
por sorte ninguem viu essa cena ridicula, mas que deu certo.
cada um saiu por uma porta, e quando menos percebi, já havia atravessado a rua sem que houvesse um capanga armado atrás de mim.
confesso que subi até a avenida paulista apreensivo, a qualquer momento poderia vir o tony tornado me pegar na paulada, mandando voltar e pagar a conta, mas isso não aconteceu.

cheguei na porta do safra e lá estava o gustavo. era gol do brazil !!!!~~!@!!!!
o calote foi concluído com um sucesso estrondoso. ali, por volta da 1 manhã meu saldo continuava em 3 reais.
e cabe frisar que: eu ja havia comido deliciosas pizzas, bebido boa cerveja na pizzaria e mais cerveja no bar.
de barriga cheia e levemente alcoolizado, sem que nenhum centavo fosse gasto.

* algum tempo depois, levado por uma dessas inacreditáveis voltas do mundo, eu vim a me tornar amigo das duas moças do bar. dani sbruzzi (que mais incrivelmente ainda, trabalha no mesmo predio que eu hoje em dia) e carolzona. tínhamos amigos em comum e fomos apresentados mais tarde. até hoje rimos desse dia, e elas contam que o mano do bar ficou desgraçado da cabeça queria que elas pagassem a nossa conta. hahahahausidfas

devido ao horario, nao tinhamos como voltar pra casa. metro e busão ja nao funcionavam mais, então um novo destino tinha que ser encontrado. de preferencia longe do bar BH. hahaahahuasd

novamente, toca o celular do gustavo.
eram alguns amigos arrombados dele, chamando pra uma baladinha da vila olímpia. claro que nem considerei a ideia, descartei antes mesmo de ouvir o plano dele até o fim.
mas ele topou. então os amigos passaram ali na paulista e o pegaram.

ou seja, a partir desse momento, eu estava sozinho, sem grana e sem ideia do que fazer.

eu poderia pensar “que merda, fudeu!”, mas não.
o lance era aproveitar a maré de sorte daquele dia. resolvi então descer a augusta sentido jardins e ir até uma baladinha que eu costumava frequentar bastante.
eu era amigo de algumas pessoas que trabalhavam lá, então nao raro, eu conseguia algumas vantagens.

cheguei la na cara de pau, e a sean, que trabalhava na porta do local e era minha amiga, não pestanejou em me deixar entrar sem pagar nada. alguns conhecidos, varias gatinhas e la estava eu no inferninho.
dei uma passada no bar, onde a paula, outra amiga minha trabalhava e aí uma cerveja me foi concedida. depois outra. e outra. e mais algumas.
deus resolveu me dar um dia de rei, não podia acreditar em tudo aquilo.
todas as coisas boas me eram oferecidas sem ônus algum, era como se eu fosse alguma celebridade global. me senti o proprio bruno gagliasso.

vale recapitular que o saldo até aquele momento era: pizza + cerveja na pizzaria + cerveja no bar + entrada na balada + cervejas na balada = ZERO reais. fuckin’ amazing!

num dado momento dentro do clube, chegou a vez do meu celular tocar. ja estávamos por volta das 3 horas da manhã e imaginei que fosse minha mãe querendo saber onde eu tava.
mas não. era uma tremenda gata que eu estava de olho há algum tempo, mas que tinha namorado.
me ligando as 3 da manha? o que poderia ser?
sem pensar, antedi.

garota: oi andre, me fala onde vc ta.
eu: to aqui na baladinha de sempre
garota: sai daqui meia hora, vou ta na esquina te esperando
eu: ?????
garota: nunca falei tão sério
eu: estarei la.

foi a meia hora mais longa da existência humana, minha ansiedade era brutalmente gigante.
o que a gata quer comigo a essa hora e no meio da rua?
será uma cilada?
será uma pegadinha?
será mais um gol do brazil?!?!?1

não havia outro modo de saber, que não ir lá conferir com meus proprios olhos.
chegou a hora.
saí do local sem gastar um único centavo e desci até a esquina.
e pra minha surpresa, o carro dela realmente estava lá. não era pegadinha.

ainda meio sem entender bem o que tava rolando, entrei na caranga.
fui surpreendido por uma garota insana, maluca e fogosa. deve ter tomado sozinha uma garrafa de catuaba, pq o pulo que ela deu pra cima de mim não era algo normal.
o desejo consumia aquela garota, e a partir daquele segundo, a mim tbm.

óbvio que os detalhes serão poupados pelo fato desse blog ser muito familiar, mas a garota realmente estava com um único pensamento na cabeça: levar rola!

depois de sair de cima de mim, ela ligou o carro e saiu cantando pneus. o destino era incerto pra mim, fiquei meio receoso do que poderia rolar. mas eu estava no roque, nao dava mais pra voltar atras. e claro que eu não queria também.
alguns minutos rodando, e vejo luzes vermelhas piscando. flechas, corações, drinks. eram os desenhos formados pelo neon.
numa manobra arrojada, ela cortou todos os outros carros que vagavam pela madrugada e adentrou ao estabelecimento.

garota: vc tem mais de 18, neh?
eu: mas que porra, devo ser mais velho que vc.

documentos entregues e chave recebida, ela parou o carro de qualquer maneira.
provavelmente já habituada àquele local, que era desconhecido pra mim, ela tomou a dianteira e abriu a porta do quarto do prazer.
horas e horas se seguiram ali dentro, sem que o fogo diminuísse.
a madrugada foi testemunha de uma sessão indescritível regada a safadezas mil, onde novamente não serão dados detalhes. mas claro que vocês tão aí desenhando a cena em suas podres e doentias mentes.

findada a festa carnal, tínhamos que sair dali. o sol ja raiava na janela, mais de 7 da manhã.
pensei “que merda, esse quarto deve ser uma bica, mas tudo bem, to no lucro”.
entramos no carro e na hora de sair algo reluziu em meus olhos. era a garota abrindo a carteira e sacando o seu AMEX PLATINUM, pra custear as horas que haviam se passado.
como não sou bobo, fiquei quieto arriscando algum assobio pra disfarçar.
vejo o papel saindo maquininha e nossos documentos sendo devolvidos.
caralho, esse não foi um gol, foi uma copa do mundo inteira pro brazil !!!~~!!!!

ja imaginando que ela me deixaria ali perto da paulista, onde ela me pegou, ela lançou um papo espertíssimo:

garota: então, onde vc mora?
eu: ali na aclimação, perto da vila mariana.
garota: legal, te deixo lá.
eu: !!!!!!!!~~@@!!!!@!^^!!!!!!!!!!

não existem palavras pra denominar tudo que rolou a partir do momento em que saí de casa, dizer que fui abençoado ainda é pouco pra descrever.
no fim das contas, pedi pra garota me deixar na esquina de casa, onde finalmente achei uma utilidade pros meus 3 reais.
comprei alguns pães quentinhos, fui pra casa e ainda tomei um café da manhã agradabilissimo com minha mãe, que ficou super agradecida.

depois disso, li a pagina de esportes do jornal, tomei meu banho e fui dormir como um rei.
marquei o mega gol do século. obrigado deus e obrigado brazil!

Posted in comida, baladinhas, humor, bizarrices | 13 Comments »

mas…cadê os campeões?!

August 21st, 2007 by andrechaos

nos últimos posts falei bastante sobre shows que ja fui, e isso deu uma boa refrescada na minha memória.
comecei a me lembrar de algumas roubadas e me liguei que shows de roque estão pau a pau com os jogos de futebol na minha vida.
não farei um top 5, como no caso do futebol (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), mas vale aqui mais um relato sobre um dia desgracento em que a prioridade era o roque.

era setembro de 2005 e íamos ao show do whitesnake e judas priest. por aí vc ja vê que a chance de ser roubada era superior a 150%.
me lembro de ter saído do trabalho, na paulista, e ido até a editora abril, onde meu irmão e todos nossos amigos trabalhavam, pra que de lá fossemos pro show no anhembi.

era fim da tarde, entrei no predio da abril e fui comer alguma coisa ali na lanchonete pra esperar todos descerem. e foram vindo, um por vez.
meu irmão, metaller, marco bezzi, e tony. cada um comeu uma paradinha ali, e nos apressamos pra sair rumo ao show.
todos ansiosos, o roque nos esperava.

na hora de dividir as pessoas nos carros, rolou uma confusão. alguns não queriam ir de carro, outros preferiam deixar la na abril pra pegar o na volta e bla bla bla. como nao sou motorizado, fiquei apenas assistindo e esperando o que fosse decidido.

depois de alguns minutos, saiu o veredicto: iam TODOS no ford ka do meu irmão.
por TODOS, entenda-se TODOS mesmo. repetindo: meu irmão, eu, marco bezzi, metaller e tony.
5 sujeitos num humilde ford ka. e desses 5 sujeitos posso garantir que eu era o menorzinho. e olha que não sou exatamente um cara fitness.

pois bem, entramos no carro. com BASTANTE dificuldade, que fique bem claro.
meu irmão e metaller na frente. marco bezzi, eu e tony atrás.
essa galerinha seria barrada em qualquer elevador da cidade, mas no ford ka rumo ao roque não haviam restrições.
claro que um simples comando da pm acharia milhões de restrições ali dentro, mas em nenhum momento essa foi nossa preocupação.

da editora abril até o anhembi, é um caminho consideravel. todo ele feito pelas marginais pinheiros e tietê.
são avenidas extremamente movimentadas, e como estávamos no horario de rush, multiplique essa movimentação ainda mais.
durante todo o trajeto, era nítida a sensação de que os pneus tavam ralando nos paralamas do carro devido ao excesso de peso.
nao só ouvíamos o barulho, como sentíamos o carro “áspero” enquanto rodava. isso quando não pegávamos um buraco e a certeza de que o carro ía desmontar era total.

depois de uma boa meia hora nessa tensão, finalmente nos aproximamos do anhembi.
a avenida na frente estava bem congestionada. fiquei até surpreso com a quantidade de metaleiros que possuíam carro, na minha concepção geral ia de metrô ou lotação pro show.
em todo caso, o transito tava parado e levamos mais alguns minutinhos pra entrar no estacionamento. mas como não havia mais um transito fluente como na marginal, nao rolava mais medo de um acidente com a carroça em que estávamos.

foi aí que veio um dos fatos pitorescos da noite. a nossa pista tava completamente parada, mas do lado direito do carro, tava andando devagarinho.
passou um carro do nosso lado com 4 garotos indo pro show. quando emparelharam com a gente, o cidadão que dirigia botou simplesmente meio corpo pra fora da janela e urrou em nossa direção:

motorista ao lado: AEEEEEWWWW PORRA!!!~~@!!! VOCÊS TÊM PINGA AEEE??!!?!?!~~!!!!!!

apenas um milisegundo depois, ouvimos um estrondo. POOOWWW.
o cretino imaturo veio pedir cachaça pra gente e esqueceu de dirigir o carro. resultado: bateu no automóvel à sua frente, já que o transito parou e ele não viu.
acontece que no carro da frente estava uma senhora já de idade, e eu tenho plena convicção de que ela não ia ao show. mais do que isso, pagaria pelo menos mil reais pra não estar naquele lugar e naquela hora. a vovó ficou horrorizada vendo aquele bando de gente saída do esgoto ao seu redor, e nem sequer saiu do carro pra ver o que tinha acontecido.
deve ter pensado “foda-se, prefiro pagar essa merda do que ser tragada por esses mendigos”.
e assim ficou, os dois carros bateram e logo depois agiram como se nada tivesse acontecido. a velhota vazou apavorada e os garotos continuaram sua busca por álcool.

depois de alguns minutos, conseguimos parar o carro. os 5 desceram e aí pudemos ver o real estrago feito pelo atrito pneu > paralamas.
o pneu tava todo ralado e branco. e um dos paralamas soltos, a ponto de cair.
nessa hora veio a duvida: de quem foi a BRILHANTE ideia de acomodar os 5 filhos da puta dentro de um ford ka pra cruzar a cidade?
pergunta até hoje sem resposta.

nos dias seguintes ao show, meu irmao levou um belo preju trocando o paralama, que ainda por cima, veio na cor diferente do carro.
pra que se fuder pouco, né?

paramos no primeiro tiozinho com isopor pra tomar nossa cerveja, ao lado de um grupinho de típicos metaleiros.
spandex cano alto, calças apertadissimas, jaqueta jeans surrada e cheia de patches e os melhores cabelos do mundo. todos mesclavam o estilo cid guerreiro, com maria bethania e biro biro.
altos papos sobre metal e um deles lançou antológica frase:

“ACCEPT É FODA!”

naquele momento até conseguimos rir, toda a merda que circundou nossa ida ja havia passado e o roque estava mais presente do que nunca. “o pior ja passou”, erroneamente pensamos.
depois de mais algumas cervejas, entramos no anhembi.
o whitesnake ja tava na metade do show, mas ninguem se importou muito. vimos o final do show e ja foi suficiente.

minutos depois, surge o imponente judas priest.
rob halford, com sua insinuante mistura de nosferatu com clovis bornay comandava o publico com enorme facilidade.
cliches metaleiros nao faltaram durante todo o show.

incrivelmente, durante a apresentação, nenhuma merda rolou. passamos ilesos por mais de 2 horas do mais puro e destilado heavy metal.
aqui vale frisar que vi o show ao lado de marco bezzi apenas. metaller, meu irmão e tony resolveram entrar na galera pra ver mais de perto. como de prache, antes do show, marcamos um lugar na saída pra nos encontrarmos.

sem problemas, um a um, todos foram chegando.
menos o meu irmão. passaram-se 10, 15, 20 minutos até que ele voltasse.

galera: e aí, curtiu o show???!?!!?!
meu irmão: curti, mas…..perdi meu celular!
galera: pãtz, mas como?
meu irmão: ah, pulando lá no meio do povo
galera: ……………. (por dentro, risadas incessantes)
meu irmão: então, tava pensando em voltar lá pra procurar
galera: mas vc tava no meio do povo?
meu irmão: é
galera: porra, então vc nunca vai achar.
meu irmão: mas podemos tentar, pelo menos
galera: mas nem fudendo, eh impossivel !!!
meu irmão: só um pouco, enquanto o pessoal ta dispersando…nao vamos conseguir sair agora mesmo, ta muito cheia a saída…
galera: hmmm…ta bom

aí veio a segunda pergunta sem resposta da noite.
o que um rapaz com um ótimo emprego, familia bem estruturada e estudado foi fazer no meio da multidão de fãs do judas priest em 2005? ainda se fosse em 1980, ok. mas em 2005?
até hoje a resposta não foi dada

a lá fomos os 4 trouxas caçar um celular num terreno que havia sido pisoteado sem misericódia por 20 mil indigentes.
nessa hora éramos 4, pq o tony sumiu no meio da galera e nunca mais regressou. pobre tony…

pois bem, ficamos ali revirando o entulho em busca de um celular.
plasticos, latas, roupas, chinelos (!!!), sapatos, tênis, carteiras (ja devidamente saqueadas, olhei varias), correntes…tudo que vc possa imaginar havia naquele chão, menos um maldito celular.

durante os trabalhos de resgate, algo realmente irônico aconteceu.
como é default no final de shows, começam a tocar musicas mais tranquilas nas caixas de som pra acalmar o povo durante a saída. em shows de metal, geralmente são executadas grandes power ballads, pra não enervar ninguem com um som que não seja metal.

e aí, enquanto os 4 imbecis procuravam o celular, começa a tocar we are the champions do queen.
automaticamente, a gente parou e começou a rir.
simplesmente não podia haver um som mais distoante daquele cenário do que we are the champions. entre todas as 20 mil pessoas que passaram por ali, afirmo seguramente que não havia um único campeão. unzinho que fosse, não existia!!! mais do que isso, não existem campeões em shows de metal.
e naquele exato momento, ao final do show, os maiores derrotados entre os 20 mil, éramos nós 4.
motivo de piada até pelo sonoplasta do anhembi, resolvemos assumir que o celular ja tinha ido pra casa do caralho.

foda-se, era a hora de vazar dali.
mesmo tendo passado um bom tempo entre o fim do show e nossa saída, ainda havia bastante gente pra deixar o local.
isso pq, em shows de metal, o publico é tratado da mesma forma que um rebanho a caminho do abatedouro. nao existe a menor consideração, quanto pior for o tratamento, melhor.
então haviam apenas duas portinhas pra 20 mil pessoas saírem.

não tinhamos escolha, o lance era encarar a multidão e sair.
fomos escorados numa parede de tapumes, andando a passos de formiga. nao lembro bem a ordem das pessoas, mas sei que meu irmão estava imediatamente na minha frente.
entre um passo e outro, vemos uma fumacinha saindo de baixo do tapume. “que porra é essa?”, foi o pensamento de geral.
poucos segundos depois, veio a resposta, de forma explosiva.
literalmente.

simplesmente jogaram um ROJÃO nos nossos pés por trás do tapume.
não satisfeito em nos fuder literalmente do começo ao fim do show, o deus metal ainda nos penitenciou com um ROJÃO.
mais do que o susto, foi foda o zunido no meu ouvido por uns 4 dias non stop, além do chamuscado no meu tenis.

comparando com as historias postadas aqui, fico até feliz, já que o normal é que eu seja a pessoa mais fudida com os acontecimentos.
dessa vez, até que fui levemente poupado e perto do meu irmão saí até bonito.
mas ainda assim, nao gostaria de repetir uma noitada classe A como essa….

Posted in roque, shows, roubadas, baladinhas, humor, música, bizarrices | 3 Comments »

afinal, isso aqui é um blog…

August 20th, 2007 by andrechaos

quando criei esse blog, queria apenas postar alguns relatos engraçados e estúpidos de fatos que já me aconteceram.
mas como acima de tudo, isso aqui é um blog, nao dá pra fugir completamente das cretinices nerds que popularizaram os diários on-line.

e fui indicado pelo gasta pra responder uma espécie de enquete estúpida e nerd. mas que é até legal.
eu tenho que responder quais são meus 10 sites preferidos/mais visitados na web. dei uma pensada aqui, e as respostas tão aí. embaixo.
no final, vou indicar duas pessoas pra responder também. então se vc foi escolhido, não me desaponte e continue essa corrente idiota!

você que curte ler as podreiras que posto aqui, não se assuste. ainda amanhã tem historinha (sempre reais, vale frisar) nova. stay tuned!

meus 10 sites preferidos/mais visitados:

1. complexo google
gmail, google reader, google analytics, google talk, google a puta que pariu. esses caras tão presentes em tudo que é lugar, e eu uso quase tudo que eles fazem.

2. nmbr
não tem muito o que dizer, o nmbr é parte integrante da minha vida há pelo menos 6 anos. triste ou não, é a real.

3. last.fm
sou usuário desde 2004, e a cada dia me vicio mais no serviço deles. sou meio freak por estatísticas (vide o google analytics ali em cima), então perco horas e horas vendo não só os números do meu perfil, como de outros perfis. amigos, conhecidos ou mesmo pessoas aleatórias. sem contar os charts gerais por banda, música, região e bla bla bla.

4. flickr
mesmo não sendo postador de fotos, uso muito pra fazer pesquisas de imagens aqui pro trampo. é muito melhor do que o google images (yay, alguem superou os donos do mundo!) ou qualquer stock photos por aí. e entre uma busca e outra, vejo fotos de amigos.

5. bluebus
blog sobre publicidade, internet, comunicação e esse mundinho em geral. como trabalho com isso, gosto de ler as notícias do que rola nessa área.

6. ccsp
área de notícias do clube de criação de são paulo. basicamente é a mesma coisa do bluebus, mas considero um conteúdo mais editorial mesmo, notícias e tal. enquanto o bluebus tem mais uma ótica mais pessoal de quem escreve.

7. pollstar
quem vai tocar hoje em kiev? onde o turbonegro vai se apresentar essa semana? e o backyard babies? mesmo sendo respostas inúteis pra mim, eu sempre entro pra ver a programação da semana em cidades esdrúxulas e das bandas que ouço. dá pra ver quem vai tocar aqui em são paulo também, e confio bastante no site. se aparece lá, é pq realmente ta confirmado.

8. imdb
esse nem precisa falar muito. entro pra saber quem ta filmando o que, quando estréia, como chama aquele figurante e tudo mais.

9. palmeiras
não dá pra fugir dessa, sou maluco por futebol e mais ainda pelo palmeiras. sempre entro nos portais pra ver as noticias do time, mas coloquei o globoesporte ali por achar o mais completo.

10. dude! we’re lost!
acho o melhor site nacional sobre a série, da qual sou meio freak tbm. leio sempre as notícias lá e apesar de não curtir spoilers, fica meio foda segurar a curiosidade…

e pra continuar essa merda, indico a carolzona e a isa.
por favor respondam, não me deixem passar essa vergonha sozinho!
hahuahusdahuihasdas

Posted in palmeiras, trabalho, música, internet, humor, futebol | 4 Comments »

planet??? pop!!!

August 9th, 2007 by andrechaos

quem não curte uma festança com boca livre, hein?
muita fartura, boa comida, boa bebida, música legal, diversos amigos…aposto que todos vocês aí já desfrutaram de uma maravilha dessas pelo menos uma vez.

por trabalhar com comunicação há um bom tempo, além de ter amigos em vários veículos de mídia, toda hora aparece um convite pra boca livre. festas de gravadoras, lançamentos de discos, inauguração de baladas e shows. muitos shows.
então se vc tem algum esquema pra boca livre, não deixe de me convidar. não tenho o hábito de recusar esse tipo de convite.

mas rolou uma ocasião, em que seria melhor ter recusado.
falo da época em que eu trabalhava pra uma operadora de celular. eu fazia o portal deles, e como vendíamos ringtones, o contato com grandes gravadoras era diário.
uma delas, especializada em dance music de baiano favelado, organiza todo ano um festival chamado planet pop. vários artistas que tocam dance music de baiano favelado se juntam e ficam tocando por horas e horas. deve haver um prêmio pro cidadão que consegue ficar até o final, pq o barato ultrapassa os limites do insuportável.

pois bem, numa das edições do glorioso planet pop, toda nossa equipe foi convidada a ir em um camarote com tudo liberado, na banca da gravadora.
a roubada era certa, então um por um, todos nós fomos pulando fora.
“já tenho compromisso”, dizia um. “tenho prova na faculdade”, o outro. “não vai rolar, tenho que levar minha avó na musculação, mas valeu o convite!”. e por aí vai. cada um com suas desculpas e ninguém topou ir ao festival de dance music de baiano favelado.

acontece que o gerente de contas da empresa, o marcel (que tinha uma espantosa semelhança com o sr. incrível) chegou na sala e falou:

marcel: galera, sei que vocês não gostam dessas coisas e tudo mais. mas por favor, a gente precisa que alguém vá. os caras deram um belo camarote pra gente, é muita falta de educação recusar. não precisam ir todos, mas pelo menos algumas pessoas têm que ir. vejam aí quem topa, e até o final do dia eu passo aqui pra dar os convites.

nessa hora todos ficaram sem graça, olhando pro chão, pro teto, pro horizonte e até assobiando. alguns arriscavam se entreolhar, mas era perigoso, pois aí poderia rolar uma imposição do tipo “você vai, e acabou!!”.

mas todos ali já eram crescidos, não podíamos simplesmente bancar os cretinos imaturos e bater o pé negando o convite. era preciso chegar num acordo de quem iria.
fomos por eliminação. quem realmente tinha compromisso, prova, viagem e a puta que pariu, tava descartado.
entre os que tavam apenas de frescura e gaguejaram na hora de inventar desculpas ridículas (me inclua nessa), rolou um paredão no melhor estilo big brother, pra determinar quem se foderia por uma noite inteira.

não é preciso dizer que eu fui escolhido a representar nossa corporação no grande evento.
mas o toque de genialidade, é que além de mim, foram convocados a livinha e o vina. se você acompanha meu blog, sabe que esses dois elementos quase provocaram a minha prisão, no caso do roubo na padaria. além de pelo menos mais duas roubadas federais em que a livinha me enfiou (aqui e aqui).
mas tudo bem, pelo menos era uma boca livre, e dessa vez não corríamos o risco de sermos pegos roubando algo comestível.

era uma sexta feira, e todos os outros planos haviam caído por terra.
a baladex seria no festival de dance music de baianos favelados no via funchal. já conformados, marcamos de nos encontrar por volta das 22 ali mesmo perto do trampo, pra irmos de carro pro local.

tava meio puto e resolvi nem ir pra casa. saí do trampo umas 19 hrs e fui pro bar, onde permaneci até a hora marcada pra nossa saída rumo à noitada. a idéia era chegar no planet pop já completamente alcoolizado, a fim de reduzir os danos provocados pela má qualidade musical, mas acabei não bebendo tanto assim.
nos encontramos e mesmo sóbrio, rumamos para o via funchal.

o fato de não estar bebado, poderia ser amenizado pelo lance da boca livre. caso realmente rolasse uma fartura nababesca, a gente teria como ficar bebado em pouco tempo e o sofrimento seria diminuto. mas até então, tudo era uma incognita.
e se a gente chegasse lá e não tivesse porra nenhuma do prometido? apenas baianos e música ruim? o suicídio seria levado em conta caso o cenário encontrado realmente fosse esse.
muita tensão no caminho, não conseguíamos imaginar um único segundo de diversão nas proximas horas.

chegamos à maldita vila olimpia, e a rua funchal tava infestada. o carro andava a 0,5 km/h e as piores previsões ja estavam começando a se concretizar. depois de um bom tempo, conseguimos parar e o carro, e descemos pra entrar na casa.

nessa hora, achei que havia algo errado. peguei até o ingresso do meu bolso pra conferir se estavamos realmente no dia e local certos, pq o que eu vi ali era uma festa infanto-juvenil. imaginei ser um show do high school musical.

5a série B em peso no planet pop. eu tinha pelo menos o dobro da idade do muleque mais velho ali. era um jardim da infancia em plena madrugada! imaginei que o dr. eugenio chipkevic faria uma festa e tanto ali.

depois de uma sensacional furada na fila, onde fizemos nossa idade valer alguma coisa, entramos naquela merda e levaram a gente pra nossa mesa.
nos deram uma daquelas credenciais de colocar no pescoço. nessa hora pensei “rapaz, isso aqui pra pegar mulher é tiro e queda”. mas olhei em volta e qqer sacadinha mais marota poderia render uma cadeia pra mim, já que a juventude era latente em todas as pessoas ali. exceto nós três.

quando chegamos na mesa, foi como um oásis.
a música tava tenebrosamente ruim, a pivetada infestava todo o lugar, mas aí adentramos ao nosso camarote e vi a mesa armada.
confesso que na hora me senti o tony montana, só que sem os trabucos e o pó. pq de resto, tava tudo la.
um balde gigante de cerveja no gelo, garrafas de whisky, vodka, energéticos, vinhos, até uns rangos meio de veado, tipo mussarela de bufala com tomate seco, carpaccio e coisas assim.
pau no cu de tudo isso, simplesmente abracei o balde de cerveja e virei a primeira long neck como se eu tivesse ficado 28 horas andando no deserto do saara.

eu, livinha e vina fizemos um pacto. ficarmos bebados o mais rapido possível, assim conseguiriamos ver graça em alguma coisa.
de cara limpa, eu pegaria meu lança-chamas e não sobraria um único filho da puta ali.

dito e feito, a gente bebia tanto, e tão rápido, que em coisa de 15 minutos a alegria era total.
livinha, com toda sua sensualidade, xavecou o garçom e além de tudo que tinha na mesa, o cara trazia ainda mais coisa por fora. estávamos na gozolândia.

aí chegou o glorioso marcel, já citado ali em cima como o sr. incrível. e ele nos fez passar uma das grandes vergonhas da noite.
na tentativa de fazer uma média com os caras da gravadora, ele nos chamou e disse.

marcel: pessoal, obrigado por terem vindo, viu? mas vamos lá agradecer ao pessoal pelo convite. é coisa rapida, só pra fazer uma social.

nisso, ele pegou um dos pratos de mussarela de bufala com tomate seco, pra levar pro cara.
fomos atras.
chegamos no camarote dele, e rolou aquela falsidade, abraço, tapinha nas costas e bla bla bla.

marcel: então, trouxemos aqui pra vocês, como gratidão!

e entregou o pratinho de mussarela de bufala.

cara da gravadora: ah, beleza.

e colocou na mesa dele. aí veio a vergonha.
o cara era o dono daquilo tudo, tinha caviar, champagne, mulher pelada e tudo mais que vc pode imaginar na mesa dele. aí me vem um filho da puta trazer um presente que era de graça?
pro caralho com o sr. incrivel, nem o cachorro do cara da gravadora devia comer aquela mussarela de bufala vagabunda.

nisso, olho pro palco, e tem um puta dum arrombado lá em cima.

arrombado: galera, bem vindos ao PLANET….
publico: POPEEEEEEEEE!!
arrombado: PLANET!!!!!!!!!
publico: POPEEEEEEEEEEEE!!!!lç^!!!!!

era demais pra minha cabeça, todos os limites de arrombadice já haviam sido excedidos.

voltamos ruborizados pra mesa, e aí tive uma bela visão.
no camarote ao lado do nosso havia uma senhora potranca. um cavala pra ninguém botar defeito, e pelo menos na aparencia, tinha mais de 18 anos.
era uma esperança e tanto. já embriagado, abracei a livinha e falei.

eu: livinha, ta vendo aquela ali? (e apontado na maior, sem cerimonia)
livinha: to sim
eu: to indo la. e pode anotar: vou faturar!!~~!
livinha: hahaha
eu: estou falando serio, eu vim com vocês, mas vou embora com ela!

não entendi o pq da risada dela, mas tudo bem.
saquei mais uma cerveja, estufei o peito pra deixar minha credencial bombando e colei na gatinha.
não lembro exatamente de nenhuma palavra que eu falei. mas acredito ter lançado os melhores galanteios do mundo, no estilo julio iglesias. pura sedução, ao som de crazy frog. não tinha como dar errado.

acontece que a cavala ainda não tinha caído na minha, era um misto de desconfiança e desconforto. eu falava, falava, falava e bebia, bebia, bebia. e nada dela me responder.

na sequencia, ela saiu da mesa.
“ah, beleza, foi no banheiro” eu pensei. e sentei com mais uma cerveja pra espera-la voltar. la na outra ponta, livinha e vina rindo pra caralho de mim. continuava sem entender nada, mas foda-se. eu sou mais eu.

passados alguns minutos, e aquele monumento em forma de mulher voltou.
la fui eu novamente encher a orelha dela com groselhas sedutoras. falei, falei, falei, falei, mostrei a credencial, ofereci tudo que tinha na mesa pra ela. e nada. nem uma resposta, por mais negativa que fosse. era puro nojo a cara dela.

mas aí ja tinha virado questão de honra. aquela piranha teria que falar comigo, por bem ou por mal. agora que eu nao desistiria mesmo.

novamente, ela saiu da mesa.
ela não tava bebendo nada, pq tantas indas ao banheiro? será que a vadia tava com caganeira em pleno planet pop?

mesmo com essa dúvida, assim que ela retornou, fui la em mais uma tentativa de sapeca-la.
nesse momento, colei nela e vi um sorriso. “caralho, agora vai!!!”, pensei na hora.
e ja lancei uma piscadela de olho.

foi quando senti três toques no meu ombro, como alguem me chamando.
mas não era tapinhas normais, foram três marretadas servidas.
“porra, quem ousa interromper meu processo de sedução?!?”. fiquei puto e simplesmente empurrei aquela mão do meu ombro sem nem olhar. fiz um movimento semelhante àquele quando vc vai tirar as caspas que caem no ombro. puro desprezo.

mas aí vieram mais três marteladas, e mais fortes. até tombei pro lado.
e o sorriso da garota lá, estampado no rosto.
me virei, e não vi nada além de um terno e uma gravata. “porra, que merda é essa?”
e olhei pra cima.

o que vi ali, foi um crioulo engravatado de pelo menos 2,60 mts de altura. o negro tinha proporções jamais vistas. ele deixava o shaquille o’neal parecendo o nelson ned.
o maluco então abaixou e me falou.

crioulo: amigão, boa noite. se você dirigir mais uma palavra pra essa moça, apenas mais uma, eu te jogo lá embaixo, você entendeu?

arregalei o olho e fiquei sobrio na hora. uma simples ameaça daquela muralha africana foi suficiente pra me apavorar.
olhei pra baixo, e nosso camarote estava a uma altura consideravel do chão.
agora quem estava na iminencia de uma caganeira sem limites era eu.

tudo fazia sentido. desde as saídas da garota, que na verdade tava indo reclamar de mim pro segurança, ate o sorriso dela no final, feliz por ver minha fodeção.

lógico que atendi à ordem do negão, a insanidade não havia tomado conta de mim ainda.
sentei e fiquei bem quietinho, apenas observado a livinha e o vina passando mal de rir da minha cara. as risadas deles eram mais altas do que o som do cuzão que tava no palco aquela hora.

quando eles se cansaram da minha desgraça, resolveram que era a hora de irmos embora.
claro que topei, não tinha mais nada que eu pudesse fazer ali, a noite estava literalmente acabada pra mim.

mas eu não poderia sair derrotado, a afronta do segurança somada ao toco da morte que levei daquela biatch haviam mexido com meus brios. eu não dormiria se saísse assim, sem nenhuma vitória.

pois no caminho até a saída, vi algo que poderia nos salvar.
na saída do camarote pra pista, havia um pequena confusão. um aglomerado de pequenos arrombados que queriam entrar nos camarotes pra desfrutar daquela boca livre. mas claro que nenhum deles possuía o que nós possuíamos: as credenciais.

aquele objeto era desejado por todos ali, as nós estavamos indo embora. de nada valiam mais pra gente.
e aí veio o clique:

eu: caralho, vamos vender essa merda!
livinha + vina: puta que pariu, vamos!

saímos do camarote e no meio da confusão de pivetes, eu puxei um pelo braço.

eu: aê muleque, ta a fim de subir no camarote?
muleque otário: logico!!!!!!!
eu: seguinte, cara, TÁ CHEIO DE MULHER LÁ EM CIMA, vc não vai querer perder essa né?
muleque otário: meu deus do céu, o que preciso fazer, tio????!?!?!?
eu: temos credenciais pra você e pros seus amiguinhos, é só comprar da gente! (nisso peguei as 3 credenciais e mostrei pro pivete, que foi à loucura)
muleque otário: nossa, quanto custa?
eu: me dá tudo que você tem aí!!!!!

eu tava transtornado, toda a frustração pela bitch e pelo segurança tavam sendo descontadas no pequeno trouxa.
ele sacou 30 reais. eu ri e falei:

eu: vc ta louco, né? pega mais, mais!!!! são 3 credenciais!
muleque otário: claro claro, desculpa, peraí

ele chamou os amigos, fizeram uma vaquinha e juntaram incríveis 120 reais.
topamos na hora, entreguei os 3 artefactos pro pivete e saímos vazados dali com a grana dele.

o que ele nao sabia: pra subir ao camarote, era necessaria credencial MAIS o ingresso, coisa que ele não tinha.
o arrombado junior provavelmente ficou a ver navios, 120 reais mais pobre e misturado à ralé a noite toda.

o meu objetivo inicial não foi atingido, óbvio. mas saí de lá feliz, alguém pagou o pato pela minha derrota e isso foi suficiente pra devolver minha auto-estima e mantê-la em alta por um bom tempo.

Posted in trabalho, roubadas, baladinhas, humor, bizarrices | 9 Comments »

« Previous Entries